eu gosto quando o amor vem fácil. é gostoso. não gosto quando ele tira tudo do lugar, quando é incerto, quando é incomodo. eu gosto quando é acalento, quando é calmaria, não gosto quando é dúvida, quando é balanço, quando é corda bamba, passos no escuro sem saber onde tatear. eu gosto de tudo aquilo que me ama na ação. o amor em verbo é mais gostoso. eu gosto quando deleito na língua, quando toco, quando verbalizo sem medo, quando não tenho receio, quando é abraço. não gosto quando é espera, quando é silêncio, quando é montanha russa e acaba em solidão. eu gosto do amor, aprendi a gostar depois de muitos anos negando a existência desse amor feito para mim, por mim. algo que cabe no meu eu.
e todas as vezes que me neguei amor parecem bobagem de um outro alguém. eu gosto do amor e bell hooks me ensinou essa versão minha que sempre tive medo de dizer. porque o amor sempre pareceu fragilidade, vulnerabilidade, sempre me pareceu negação, por isto, instalei o medo. é tão mais fácil instalar os medos de não ser querer algo, para se manter preservado. para se manter seguro. mares calmos são mais seguros.
mas daí eu aprendi que gosto dos dois, dos amores calmos, dos amores de mar em calmaria. nada de grandes ondas que deslocam do meu lugar, nada que me faça rolar na cama aflita em saber se também sou amada. eu quero ter a certeza que estou pisando naquilo que também me quer. essa coisa de querer o incerto, eu deixo para vocês que gostam de redemoinho.
eu gosto do amor, mas eu gosto muito mais de mim desse jeitinho calmo, certo, corriqueiro e amado na certeza.
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