ouço por vezes o meu silêncio e ele é tão ensurdecedor. sento do lado de uma janela e a luz me toca e eu deixo. eu deixo. eu permito que o silêncio avance e ocupe cada lacuna do desperto inquieto do meu ser. o silêncio é como um frame piscando em uma tela e eu compreendo. me entendo nesse silêncio e sinto falta dele, em cada fôlego de vida. avanço por dentro de mim a passos incertos e entre uma sala e outra encontro uma parte de mim antes esquecida, mas me desperta. sou inquieta, mas entendo, finalmente entendo que sempre estive completa. não há nada incômodo no meu silêncio, pelo contrário. sou quem sou, feito dele.
domingo, 21 de junho de 2026
quarta-feira, 17 de junho de 2026
cotidiano que me faz sorrir
- vi um senhorzinho segurando um cachorro grande no colo e, por um momento, o cachorro parecia sorrir com a língua de fora. o senhorzinho deu um beijo no doguinho bem na hora em que meu sorriso se alargou;
- minha cachorra de roupinha de frio;
- minha gata miando na minha janela e depois pedindo seu carinho matinal;
- minha gata vesga olhando para a foto;
- pessoas muito animadas dançando em um lugar com luzes coloridas;
- salgadinhos de festa de graça;
- minha psicóloga rindo muito comigo e me mandando um post do instagram;
- pretinhas sendo amadas aos berros nas redes sociais no dia dos namorados;
- um dia de sol e frio;
- quermesses;
- comidinhas de quermesses;
- quadros bonitos que minha mãe pintou;
- eu listando os sorrisos que dei na semana, porque me abraçar sem medo me sublinha em papel-presente dentro de mim e eu nem lembro que odeio meu psiquiatra.
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