ouço por vezes o meu silêncio e ele é tão ensurdecedor. sento do lado de uma janela e a luz me toca e eu deixo. eu deixo. eu permito que o silêncio avance e ocupe cada lacuna do desperto inquieto do meu ser. o silêncio é como um frame piscando em uma tela e eu compreendo. me entendo nesse silêncio e sinto falta dele, em cada fôlego de vida. avanço por dentro de mim a passos incertos e entre uma sala e outra encontro uma parte de mim antes esquecida, mas me desperta. sou inquieta, mas entendo, finalmente entendo que sempre estive completa. não há nada incômodo no meu silêncio, pelo contrário. sou quem sou, feito dele.
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