sábado, 1 de agosto de 2026

o descortinar do mundo acontece de forma gradual, mas, na grande maioria das vezes, machuca de maneiras intrínsecas a condição humana. primeiro, o meu olhar diminui. fica pela metade. é sempre essa percepção de que estou vendo o mundo por uma janela quase aberta. incomoda. forço o olhar para adequar as rotinas ao meu redor e faço de conta que está tudo bem. porque eu aprendi a arte de mentir sorrisos. aprendi a solidão. 

depois, eu corro de um lado para o outro dentro da minha própria cabeça. com medo, com esperança, com vontade de mudar alguma coisa. na maioria das vezes, todas essas coisas ao mesmo tempo. preciso me sentir no controle outra vez. preciso exercitar essa autonomia e essa autoestima delirante que vesti por fotografias. e preciso lembrar de olhar para esse sentimento com desconfiança, quase com desprezo, porque, se eu me apegar demais a essa visão turva, a esse comodismo, a esse efeito coitada que encolhe meus passos e enfraquece a minha coragem, então eu sei exatamente o que acontece.

se eu aceitar tudo isso que a depressão, vez ou outra, me traz, vou acabar parada, assistindo à vida seguir enquanto tudo, lentamente, me engole.

e, porra, cansei dessa merda.